
O edifício está agora meio abandonado e um pouco degradado, mas aqui foi uma das casas mas conhecidas de Montemor; “A laranjinha”.
Não sei exactamente quando nasceu, mas penso que terá sido logo no princípio dos anos cinquenta, do século passado, que os irmãos Joaquim e José Abelha abriram esta casa.
Com um espaço de boas dimensões, tinha, de início (pelo menos do que eu me lembro dela) duas salas de refeições, e o espaço da taberna propriamente dita, onde estava o jogo que dava nome à casa: “a laranjinha”. E o que era a laranjinha? -Era um jogo tradicional, jogado num rectângulo com cerca de 3 x 6 metros (não sei as medidas certas; isto é o que me lembro assim à distância), com os lados forrados a cortiço para fazer de tabelas, em que eram utilizadas umas bolas de madeira (uma grande com 6 a 7 cm de diâmetro, para cada jogador, e uma pequena, com uns 2 cm de diâmetro, que era a laranjinha). As regras seriam entre o bilhar e a Petanca.
A casa sempre foi muito frequentada, tanto pelos jogos – além da “laranjinha” havia ainda o tradicional “31”, e algumas mesas onde se jogavam cartas – como pela qualidade da cozinha da D. Adelaide.
No final dos anos 60 a casa foi um pouco remodelada, tendo o tradicional jogo, que ocupava muito espaço, dado lugar a um jogo de bilhar e a uns matraquilhos; foram também construídas novas zonas de refeições (pequenas salas) e remodeladas as casas de banho e a cozinha.
Nessa época “A laranjinha” era local preferido por todos os estudantes que vinham de Vendas Novas para o ensino Industrial em Montemor.
Depois foi a decadência até ao encerramento, pois a abertura de outros espaços, com outras condições mais de acordo com os novos gostos das pessoas, foi condenando a maioria destas velhas casas onde o convívio social existia, nem sempre na sua melhor forma, claro, e onde até se faziam alguns bons negócios.