quarta-feira, 17 de Dezembro de 2008

O Ivo sapateiro

Ivo sapateiro, ou “Ivo coxo”, como também muitos o conheciam, e cujo nome completo é Ivo José Pereira.
Uma figura impar de Montemor!
Conheci-o nos meus tempos de escola, no bar da antiga sede do União, na rua Capitão Pires da Cruz, sempre animado e pronto para mais um petisco.
Conhecido por todo o lado onde o União ia jogar, devido à sua paixão pelo clube, que seguia sempre que podia, sendo sempre dos espectadores “mais ruidosos” do estádio, principalmente se as coisas não estavam a correr bem para o lado das suas cores.
Era na sua oficina de sapateiro, que se situava no pátio interior do Convento de S. João de Deus (no vão das escadas da actual Biblioteca Pública), junto de umas casas de banho públicas (que também estavam ao seu cuidado), que eram cosidas à mão as antigas bolas de couro, e reparadas as botas (de pele com travessas de madeira nas solas) que o União utilizava.
O busto, que se mostra na fotografia, é uma bonita homenagem a este homem, e encontra-se num corredor da Biblioteca Pública Faria de Almeida.
Não consegui ainda saber quem é o seu autor, mas logo que o saiba aqui farei a devida referência.

quarta-feira, 10 de Dezembro de 2008

Igreja de Santa Maria do Bispo

Foi dos primeiros edifícios religiosos a ser construído dentro do perímetro do castelo de Montemor, após a sua reconquista aos Mouros, havendo referências a esta igreja, por parte do Bispo D. Soeiro II, em 1206.
Era um edifício grandioso, de dimensões invulgares, com uma abóbada apoiada em 14 colunas de pedra, três naves, chão em lajes de pedra.
Era um templo muito rico, com as paredes cobertas de frescos, um valioso espólio religioso, e nele se encontrava, junto da entrada principal, a pia baptismal onde, em 1485, foi baptizado S. João de Deus.
O edifício beneficiou de três profundas remodelações, em épocas diferentes, mas foi particularmente arruinado, pelo terramoto de 1755.
O mau estado do edifício, e o progressivo afastamento da população para fora das muralhas do castelo, ditaram a mudança da sede da freguesia para a Igreja de S. João de Deus (actual Matriz), que herdou todo o património religioso e artístico do velho templo, incluindo a pia baptismal.

Com a desactivação do templo, a degradação do espaço foi aumentando, tendo chegado (como foi uso corrente na época) a serem retiradas muitas pedras das paredes para servirem para as novas construções foras das muralhas.
Hoje encontra-se com o pavimento interior cheio de mato, e das paredes já muito pouco resta para além do pórtico da entrada principal, a zona do altar-mor, e da sacristia, tendo o telhado desaparecido completamente.
Classificada de Monumento Nacional, merecia maior atenção!

quarta-feira, 3 de Dezembro de 2008

Cripta de S. João de Deus

Situada sob a zona o altar-mor da igreja Matriz, a cripta de S. João de Deus deve a sua existência ao esforço do padre eborense João Gomes de Vasconcelos, que, depois de ter aderido à ordem hospitaleira, volta do hospital de Valladolid, para fazer a apologia para fazer a apologia da mesma nas regiões de Lisboa, Évora e Montemor.
Depois de localizar a casa do nascimento de João Cidade, o padre consegue a sua posse, e, em 1602 cria nela um pequeno oratório.
Mais tarde, em 1607, e já com a autorização do vigário da vila e dos responsáveis pelo município, consegue a autorização para implantar a ordem na vila, e construir no lugar da casa uma pequena capela.
Foi sobre esta capela que mais tarde viria a ser construída a igreja que serviria o futuro convento, hoje a igreja Matriz.
A cripta tem um pequeno altar com a imagem do santo, e, nas paredes laterais, vários quadros alusivos à vida e à obra de S. João de Deus.
Na sala que antecede a entrada na cripta existem várias imagens de S. João de Deus, pinturas do santo, e um túmulo de um dos muitos benfeitores que a ordem viria a ter na região.