quarta-feira, 22 de Abril de 2009

Igreja Matriz de Lavre

A Igreja Matriz de Nossa Senhora da Assunção, situada no centro da vila de Lavre, é um edifício de grandes dimensões, cuja construção remonta aos sec. XIV a XVIII.
Tem uma nave central, duas capelas laterais, baptistério, capela-mor, Santuário da Ordem Terceira de S. Francisco, sacristia, e outros anexos.
A igreja esteve em muito mau estado, tendo chegado a cair parte do tecto da nave central e de uma das capelas laterais, mas foi recuperada.
No Santuário da Ordem Terceira de S. Francisco (no arco de entrada e no tecto) podem ver-se ainda alguns restos de pinturas murais.


Esta igreja é considerada Monumento Nacional desde 3 de Janeiro de 1986.















quarta-feira, 15 de Abril de 2009

O Pego do Poço

Quando, há cerca de 50 anos, o Rio Almansor tinha ainda um caudal de razoável dimensão, existiam no seu percurso junto de Montemor algumas zonas de grande volume de água. Três dessas zonas, de que o pego do Poço é uma delas, foram verdadeiras “escolas de natação” para várias gerações, de que a minha deve ter sido a última.
O local dividia-se em duas partes – o Pego do Poço de cima, e o Pego do Poço de baixo – divididas pela parede de retenção que atravessava o rio. A parte superior era maior e menos profunda, e, a parte de baixo, porque mais perigosa, era apenas para os que já sabiam nadar melhor.
Não sei ao certo a origem do nome, mas, segundo penso, e julgo ter ouvido um dia, existe no local, junto da margem esquerda do rio, um poço que terá servido para abastecimento público da vila. O poço, e a casa com a bomba, ainda lá estão, e junto dela uma casa de habitação que foi utilizada durante muito tempo, e que agora está em ruínas e abandonada, como todo o local.
Com a Ermida de S. Pedro da Ribeira e a velha ponte romana ali perto, e situado numa das entradas da cidade, este troço do rio mostra bem o trabalho que é necessário levar a cabo para restituir ao Almansor a sua dignidade.

quarta-feira, 8 de Abril de 2009

Hospital do Espírito Santo


Não se conhece exactamente a altura da sua fundação, mas sabe-se que já existia em 1389, e ficava junto da ermida que se vira a chamar, em 1410, Ermida da Trindade, situada na Praça da Trindade (hoje Terreiro do Espírito Santo): o hospital ficaria portanto naquela que, ainda hoje, se chama Rua do Espírito Santo.
Era um pequeno hospital, com uma sala onde, se situavam as camas para pobres e doentes, alguns anexos, e, provavelmente, uma pequena capela.
Durante o sec. XV o hospital fundiu-se com a Albergaria de Santo André, fundada no sec. XIII, que ficava próximo e se destinava aos mesmos fins.
Durante algum tempo, durante o sec. XV, foi gerido pela Câmara.
Com o aparecimento das Misericórdias em Portugal, este hospital, como muitos outros por todo o país, passou, em 1518, para a posse da Misericórdia local.
Em 1531 o hospital muda novamente de mãos, e nele se instalam os padres Lóios, que não foram assim tão bem sucedidos na sua gestão, e, por insistência da Misericórdia, em 1567, o Cardeal D. Henrique decreta que a mesma volte a tomar conta dos destinos do hospital.
A Ordem Hospitaleira de S. João de Deus, que entretanto se instala em Montemor, e que se dedica também à cura dos doentes, reclama para si a posse do hospital, e, em 18 de Julho de 1667, consegue os seus intentos através de uma ordem de D. João IV.
O edifício cresceu, passou a ter uma enfermaria para homens e outra para mulheres, e passou a ter a seu cargo criação das crianças abandonadas.
Com a extinção, em 1834, das Ordens Hospitaleiras Masculinas, e a expropriação de todos os seus bens, os Irmãos da Ordem de S. João de Deus são expulsos do país, e, por decreto de 31 de Agosto de 1835, o Hospital do Espírito Santo e de Santo André voltou de novo às mãos da Misericórdia.
Em 1878 dá-se a extinção do Recolhimento de N. Srª da Luz, e o Hospital do Espírito Santo e de Santo André muda-se para as suas instalações, onde tinha mais espaço e condições para cumprir a sua tarefa, e onde ainda hoje funciona o Centro de Saúde.
No antigo edifício funciona hoje, na zona hospitalar, um clube privado; na zona das cozinhas e despensas funciona uma mercearia, e, onde foi a igreja funcionou (nos anos cinquenta/sessenta do sec. passado) um cinema, e mais tarde um armazém de distribuição de mercearia; hoje encontra-se sem utilização e fechado.

quarta-feira, 1 de Abril de 2009

Mestre José Salgueiro

José António Salgueiro nasceu, em 1919, no Monte de Boavista, em Montemor-o-Novo. Como filho mais velho de uma família rural, muito cedo começou a sua vida de trabalho, pois os tempos eram difíceis e era preciso ajudar no sustento da casa.
Desde cedo mostrou interesse em aprender, e em compreender o que se passava à sua volta.
Foi com muito sacrifício físico que, intercalando com os trabalhos do campo, concluiu o ensino primário.
Observando a mãe, foi aprendendo o uso dos remédios caseiros na cura dos males do corpo, ciência que viria a desenvolver, e sobre a qual tem hoje reconhecida competência, e um livro editado ( Ervas, usos e saberes – Edições Colibri ) que vai já na sua 5ª edição (não é anunciado na TV, mas é melhor!).
Até aos 14 anos, altura em que veio para a vila aprender o ofício de sapateiro, o José Salgueiro foi vendedor de água em feiras e romarias, vendedor de sardinhas pelos montes da região, foi trabalhador rural, ceifou, esgalhou, e tratou de hortas.
Aos 50 anos deixou de vez a profissão de sapateiro, para se dedicar a tempo inteiro a duas das suas paixões: o jogo de damas, de que é campeão, e as ervas medicinais.
Amante da poesia desde muito novo, só agora, aos 90 anos, editou o seu primeiro livro nesta área.
Um lutador pela justiça, e um apaixonado pela Natureza, o Mestre Zé Salgueiro é um Montemorense de mérito reconhecido, e recentemente alvo de homenagem na Casa do Alentejo em Lisboa.